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O Conflito de Asafe – Parte 2
23/10/2008
Edmundo Félix

Continuação...

III. Conhecer a si mesmo e o mundo que está inserido.

Também é preciso o levita se conhecer. Quais seus sonhos, suas fragilidades, seus desejos? O que lhe aflige, qual seu espinho na carne, quais suas dificuldades, quais suas limitações? Quais cobiças há no seu interior, os seus limites? Também ele precisa conhecer o mundo em que vive, que não é um mundo governado por Deus, mas pelo maligno. Que estar em constante luta todos os dias contra o diabo e suas ciladas, que precisa guardar seu coração dos apelos que o mundo faz para o consumismo, a moda, o jeito de ser de se comportar, as palavras, a musica, a arte, o entretenimento.

Observem o que o Senhor nos ensina: “Vistam-se com toda a armadura que Deus dá a vocês, para ficarem firmes contra as armadilhas do Diabo. Pois nós não estamos lutando contra seres humanos, mas contra as forças espirituais do mal que vivem nas alturas, isto é, os governos, as autoridades e os poderes que dominam completamente este mundo de escuridão. Por isso peguem agora a armadura que Deus lhes dá. Assim, quando chegar o dia de enfrentarem as forças do mal, vocês poderão resistir aos ataques do inimigo e, depois de lutarem até o fim, vocês continuarão firmes, sem recuar”. Efésios 6.11-13.

Todo adorador é guerreiro, Davi tocava harpa, adorador, e empunhava uma espada e uma lança, guerreiro. Não podemos ser inocentes e crer que há alguma possibilidade de servir a Deus e amar o mundo. Não tem jeito. O mundo com seu sistema são nossos inimigos, lutam para nos prender longe de Deus, para nos fazer religiosos, crentes secos, sem vida, infrutífero, sem resultados. “Não amem o mundo, nem as coisas que há nele. Se vocês amam o mundo, não amam a Deus, o Pai. Nada que é deste mundo vem do Pai. Os maus desejos da natureza humana, a vontade de ter o que agrada aos olhos e o orgulho pelas coisas da vida, tudo isso não vem do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, com tudo aquilo que as pessoas cobiçam; porém aquele que faz a vontade de Deus vive para sempre”. I João 2.15-17.

Por isso precisamos renovar nossos pensamentos pela Palavra de Deus. “Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus. “Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele”. Romanos 12.1,2.

Parece até um paradoxo, o homem de frente dos levitas, o líder fiel, o adorador que conhecia os segredos do Coração de Deus e como agradá-Lo, o levita que escreveu 12 salmos inspiradores, escreveu os salmos 50, 73 a 83. Quem diria que esse levita tinha um problema não resolvido dentro dele

Depois de toda essa glória, Asafe teve problemas, pois os seus olhos passou a observar as coisas do mundo, o estilo de vida do ímpio, e a sua aparente tranqüilidade, enquanto ele e os que serviam a Deus tinham muitas dificuldades e necessidades.

Esse assunto nos é revelado pelo próprio Asafe no Salmo 73.

Ele fala do que estar acostumado sobre Deus. “Na verdade, Deus é bom para o povo de Israel, ele é bom para aqueles que têm um coração puro”.

Aqui ele revela onde estava seus olhos. “Porém, quando vi que tudo ia bem para os orgulhosos e os maus, quase perdi a confiança em Deus porque fiquei com inveja deles”.

Ele tece argumentos de inveja. “Os maus não sofrem; eles são fortes e cheios de saúde. Eles não sofrem como os outros sofrem, nem têm as aflições que os outros têm. Por isso, usam o orgulho como se fosse um colar e a violência, como uma capa. coração deles está cheio de maldade, e a mente deles só vive fazendo planos perversos”.

Ele fala da afronta que enfrentava dos ímpios que comparavam suas vidas ímpias e aparentemente boas, com a vida justa e aparentemente sem nada do levita. “Eles gostam de caçoar e só falam de coisas más. São orgulhosos e fazem planos para explorar os outros. Falam mal de Deus, que está no céu, e com orgulho dão ordens às pessoas aqui na terra”.

Ele fala de muitos crentes que seguem esse povo, que se espelham neles. “Assim o povo de Deus vai atrás deles e crê no que eles dizem. Eles afirmam: Deus não vai saber disso; o Altíssimo não descobrirá nada!”

Ele fala da riqueza dos ímpios e a dificuldade do crente com as finanças. “Os maus são assim: eles têm muito e ficam cada vez mais ricos”.

Ele compara sua vida justa com a vida dos ímpios e começa a duvidar se valeu a pena servir ao Senhor. “Parece que não adiantou nada eu me conservar puro e ter as mãos limpas de pecado. Pois tu, ó Deus, me tens feito sofrer o dia inteiro, e todas as manhãs me castigas. Se eu tivesse falado como os maus, teria traído o teu povo”.

Quando ele está quase virando religioso, atraído pelas ciladas do mundo, começa a meditar nas coisas eternas, seus olhos sobem novamente para a realidade e recompensa de quem serve ou não serve a Deus. “Então eu me esforcei para entender essas coisas, mas isso era difícil demais para mim”.

E a revelação do Senhor vem sobre ele quando um dia ele entrou no templo para buscar resposta no Senhor. “Porém, quando fui ao teu Templo, entendi o que acontecerá no fim com os maus. Tu os pões em lugares onde eles escorregam e fazes com que caiam mortos. Eles são destruídos num momento e têm um fim horrível. Quando te levantas, Senhor, tu não lembras dos maus, pois eles são como um sonho que a gente esquece quando acorda de manhã”.

Ele faz um louvor diferente diante de Deus, o louvor de abrir o coração e ser sincero, expondo suas dificuldades, pecados, e fraquezas. “O meu coração estava cheio de amargura, e eu fiquei revoltado. Eu não podia compreender, ó Deus; era como um animal, sem entendimento”.

E finalmente ele se rende aos valores eternos superiores aos valores transitórios dos ímpios. “No entanto, estou sempre contigo, e tu me seguras pela mão. Tu me guias com os teus conselhos e no fim me receberás com honras. No céu, eu só tenho a ti. E, se tenho a ti, que mais poderia querer na terra? Ainda que a minha mente e o meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha força, ele é tudo o que sempre preciso. Os que se afastam de ti certamente morrerão, e tu destruirás os que são infiéis a ti. Mas, quanto a mim, como é bom estar perto de Deus! Faço do Senhor Deus o meu refúgio e anuncio tudo o que ele tem feito”.

Asafe passou por isso, mais sua vida se tornou mais significativa, mais madura, mias pura e consagrada a Deus. Quando ele parou de olhar para os ímpios e os apelos que o mundo faz, quando seus olhos foram direcionados novamente para o Senhor, ele fez isso como um levita, ele se voltou para o Senhor através do louvor e foi curado. Existem várias palavras que expressam sentidos diferentes na forma de louvar a Deus, e cada uma traz benefícios diferentes:

1.    Hãlal - significa, exaltar, louvar, essa palavra fala de “reconhecimento”, traz a idéia de estar profundamente agradecido, satisfeito pela ação de Deus, e reconhece isso através do louvor.

2.    Tôdã – significa confissão, louvor, sacrifício de louvor, agradecimento, ação de graças, oferta de gratidão.

3.    Rãmâ – significa elevar, altura, lugar elevado, da a Deus altos louvores.

4.    Bârak - significa ajoelhar, abençoar, louvar, saudar, isso fala do louvor de um coração quebrantado, compungido, humilde diante de Deus.

5.    Gâdal – significa crescer, tornar-se grande ou importante, promover, tornar poderoso, louvar, magníficar, fazer grandes coisas, o salmista usa essa palavra convocando o adorador a atribuir grandeza ao Senhor e ao Seu nome.

6.    Rûm - significa exaltar.

7.    Zâmar - significa cantar louvor, fazer musica, tocar um instrumento.

8.    Yadâ – foi esse tipo de louvor que Asafe fez uso quando passava por essas dificuldades. Yadâ significa jogar, lançar para Deus através da confissão de louvor nossas dificuldades. Esse louvor é para ser dado de todo o coração, tendo a pessoa um coração integro de acordo com os justos caminhos de Deus. Aqui fala de sinceridade, de não esconder nada diante de Deus, não esconder pecados, fraquezas, medos, duvidas, absoluta nada, como fez Davi diante de Deus reconhecendo seu pecado, ele usou louvar Yadâ, ele declara a Deus os seus pecados, tornando-os publicamente – “Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse; Confessarei as minhas transgressões ao Senhor, e tu perdoaste a culpa do meu pecado”. Salmos 32.5.

Aplicação.

Ler alguns versículos dos Salmos 50, 74 a 83, e ver a profundidade de vida que Asafe tinha diante do Senhor.
Você conhece seu líder e ele te conhece? Você conhece o seu Deus intimamente para tocar seu coração? Você conhece a si mesmo, suas dificuldades, suas lutas?
Vamos ter agora um tempo diante do Senhor...

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