Crônicas da Terra Santas
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Crônicas da Terra Santas

Saara e o homem santo
7/4/2005
Pr. Edmundo Felix

A cidade mulçumana dos mortos ficara para traz, o monumento ao guerreiro mulçumano Saladin parecia uma advertência para quem entrava no Saara, o grande deserto no lado egípcio. O sol queimava e ardia a pele. Dunas intermináveis de areia remexidas pelo vento que fazia os grãos de areia brincar uma brincadeira de milênios, de mudanças.

Como viver nesse lugar tão inóspito e hostil para nós ocidentais? Como cuidar da família, viver uma vida social em condições tão difíceis? Beduínos, moradores daquela região, vivem hoje da mesma maneira que viviam os seus antepassados a milhares de anos.

Lembrei do deserto de Jesus Cristo, quando foi tentado pelo diabo. Depois de quarenta dias de jejum, a sua resistência aos apelos do inimigo Ele teve a sua grande vitória; lembrei dos desertos que passamos ao longo da nossa caminhada cristã – solidão, incompreensão, medo, lutas, silêncio de Deus, tentações – desertos que se tornou cemitério para alguns que sucumbiram na fé, mas, que também fortaleceu e levantou gigantes na fé, homens e mulheres que se tornaram mais conscientes das suas fraquezas, da sua necessidade de Deus e de outras pessoas, que aprenderam a viver em paz.

Uma parada na estrada que serpenteava o deserto, uma oportunidade de comprar água fresca e esticar as pernas. No meio dos habitantes e viajantes que descansavam na sombra da lanchonete, avistei um homem santo muçulmano, vestido com uma túnica branca que ia aos pés, calçado de uma sandália trançada e um turbante branco cobrindo a cabeça. As pessoas faziam mensuras respeitosas, protegido por homens de turbantes barbudos que falavam árabe.

Aproximei-me e tentei falar um pouco com o homem em inglês sem nenhum sucesso, tentei falar em espanhol e o sorriso abriu, ele falava um pouco de espanhol como eu. E ali, no longe de tudo que lembra civilização para os ocidentais sedentários, aquele “homem santo”, demonstrava a sua fé na sua peregrinação. Que diferença havia entre ele e eu? A cor, a roupa, a língua, a cultura, a religião? Creio que nenhuma, a não ser a graça de Deus que havia mim alcançado fazendo de mim “um homem santo cristão”.

Ainda oro por ele para que no “seu deserto” possa encontrar Aquele que venceu no deserto nos dando a esperança da redenção; que assim como eu atravessava o “meu deserto” com certeza do oásis celestial garantido pelo nosso Senhor Jesus Cristo.

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