|
Pr. Edmundo Felix
O ônibus entrou por uma rua estreita e poeirenta, ladeada por casas baixas de pedras com algumas árvores a frente. Um posto policial com barreiras horizontais diminuía a velocidade do ônibus. De um lado, a bandeira Israelense, do outro lado a bandeira da autonomia Palestina desafiavam o vento forte e o sol escaldante de meio dia. Homens com suas fardas diferentes nos olhavam, portando nas mãos metralhadoras e fuzil. Tudo parecia calmo, até que o silêncio foi rompido pelo guia nos advertindo em espanhol, que não podíamos entra nas ruas e nem andar em lugares não autorizados, pois corríamos perigo de vida. Estacionamos enfrente a um restaurante e descemos para comprar água, pois íamos entrar no deserto até o monte da tentação de Cristo. O nosso guia judeu, desceu e deu um longo abraço e um beijo em uma árabe, sorriu e explicou: “Ele é padrinho dos meus filhos, apesar de nacionalidades diferentes, e lutarmos em duas frentes diferentes, ele é meu amigo, não temos preconceitos”. Até aquele momento eu desconfiava de todos os árabes e confiava em todo judeu, meu preconceito foi exposto, e os meus conceitos foram alterados para sempre. Somos preconceituosos O que é ser preconceito? São conceitos previamente formados sobre outras pessoas, povos e raças, que nos levam a separações, guerras, assassinatos, ódio e destruição. As guerras na história, o avanço do terrorismo por grupos sectários e por nações legalizadas pelos seus congressos, são resultados do preconceito, do racismo, do desejo de nivelar a todos, baseados em nossos valores culturais, religiosos, econômicos e emocionais. A segunda guerra mundial foi uma guerra de preconceitos, as “limpezas étnicas”, na Europa, África e Ásia, são movidas pelo preconceito, os assassinados de minorias homossexuais, negros, latinos, asiáticos, religiosos, é o resultado do preconceito, as barreiras comerciais e econômicas que prolifera a fome e desigualdade na raça humana e impedem povos e nações saírem da pobreza, é puro preconceito; o protecionismo dos paises ricos com relação às exportações e importações, patente de remédios para barato para a erradicação de epidemias e pestes, é preconceito; a segregação racial é resultado de preconceito. Basta ir à Alemanha e à Polônia e ver os campos de concentração, as câmaras de extermínio através de gás, os crematórios, os vagões que carregavam inocentes para a execução, ir ao museu, no holocausto de adultos e crianças, ir a paises Africanos e ver os mutilados por bombas, por minas, as famílias separadas e destruídas em suas gerações, ir aos campos de refugiados e ver milhões de pessoas sem direito, sem bandeira sem pátria, sem governo, existindo, mas não existindo, ir aos paises comunistas e ver as igrejas e os crentes se reunindo escondido, com medo. A insegurança imposta pela força, pela espionagem, basta ir à América e ver as grandes fábricas de armamentos financiando campanhas de presidentes e governadores, ir às cadeias e presídio e ver que os presos são pobres, e os ricos não ficam presos, ver a s noticias de envolvimentos da justiça em seus vários níveis, dos políticos, da policia com o crime organizado, e afirmar novamente, tudo isso é fruto de preconceito, de racismo. Somos preconceituosos, racistas de carteirinha e formação cultural, religiosa e intelectual. Não podemos amar e Israel e não amar a Palestina, amar os judeus e não amar os árabes, amar a cultura ocidental e desprezar a cultura oriental. Amar somente aqueles que nos amam é fácil, mas precisamos amar os que para o nosso conceito, são diferentes. Amar muitas vezes discordando das práticas erradas, ímpias, e injustas, mas amar e respeitar.
|
|
||||||||||||||||||||